Quando você para de sentir o próprio aroma
É a dúvida que mais chega para a gente no segundo mês. E quase sempre é sinal de que está funcionando.
Passa mais ou menos um mês e a mensagem chega: o aroma enfraqueceu, a equipe não sente mais. Quem chega de fora continua elogiando, mas quem trabalha ali jura que sumiu.
Na maior parte das vezes, não sumiu nada. O que aconteceu tem nome.
Adaptação olfativa
O olfato foi feito para detectar mudança, não para monitorar o que é constante. Diante de um cheiro estável, os receptores reduzem a resposta e o cérebro passa a tratar aquilo como parte do fundo, junto com o ruído do ar-condicionado.
É o mesmo motivo pelo qual você não sente o cheiro da sua própria casa quando entra, mas sente o da casa dos outros na hora.
O olfato foi feito para detectar mudança, não para vigiar o que é constante.
Por que isso é uma boa notícia
Quem você quer impactar não é a sua equipe, é quem chega. E quem chega não está adaptado: sente o aroma inteiro, na intensidade em que ele foi calibrado.
Se a equipe deixou de notar e o visitante ainda elogia, o projeto está exatamente onde deveria estar.
Quando é problema de verdade
Existem casos em que a queda é real, e eles têm sinais diferentes:
- Quem chega de fora também não sente mais nada.
- O aroma some em uma parte do espaço e permanece em outra.
- A queda foi de um dia para o outro, e não aos poucos.
Aí a causa costuma ser mecânica: refil no fim, filtro sujo, mudança no ar-condicionado ou uma reforma que alterou a circulação do ar. É o tipo de coisa que a manutenção mensal pega antes de você reclamar.
O que não fazer
Aumentar a intensidade porque a equipe deixou de sentir é o erro mais comum. O resultado é um ambiente forte demais para quem chega, que é justamente quem você queria agradar. A régua certa é sempre a percepção de quem entra pela primeira vez.
